Dossiê Flamengo – Do Caos à Glória

Como a Gestão Financeira do Flamengo transformou um clube endividado no gigante das Américas

Entender a gestão financeira do Flamengo é compreender como um clube que, em 2012, devia R$ 700 milhões e não pagava a conta de luz, tornou-se uma potência bilionária. No entanto, em 2025, o Rubro-Negro comprou um terreno de R$ 138 milhões à vista, e provou que a saúde das contas permite movimentos dignos de gigantes mundiais.

Mas como essa transformação ocorreu sem um dono bilionário ou uma SAF? Neste artigo, analisamos o manual da gestão financeira do Flamengo: a estratégia que fez o clube deixar de ser “vítima da sorte” para virar o maior predador econômico do continente. O que você verá aqui não é apenas futebol; é sobre o jogo do poder e do dinheiro.

2013: O início da nova Gestão Financeira do Flamengo

Primeiramente, o ano de 2012 foi a gota d’água. Com estrelas como Ronaldinho Gaúcho e Vagner Love, o clube mantinha uma folha salarial astronômica de R$ 16 milhões mensais, mas o resultado esportivo foi nulo. O fracasso deixou uma dívida de R$ 700 milhões, forçando o “choque de gestão” que começou em 2013.

Com Patrimônio Líquido negativo, a gestão financeira do Flamengo enfrentava um cenário onde o clube “começava o campeonato com -15 pontos”. O buraco deixado por gestões passadas era maior do que a capacidade de arrecadação imediata. Foi sob a presidência de Eduardo Bandeira de Mello que a reestruturação financeira de longo prazo tomou corpo.

A “Pressão Arterial”: Caixa e Resultados Operacionais

A nova diretoria começou medindo a “pressão arterial” do clube. O caixa saltou de R$ 570 mil para R$ 12 milhões em apenas um ano, reduzindo o prejuízo anual de R$ 62 milhões (em 2012) para R$ 19 milhões em 2013.

Mesmo com a conquista da Copa do Brasil naquele ano, a gestão financeira do Flamengo manteve a austeridade. Em 2014, o clube obteve seu primeiro resultado positivo (superávit) de R$ 64 milhões. Já em 2015, o ano foi de “seca” de títulos, mas de “cura” do caixa: a diretoria priorizou o pagamento de dívidas antigas em vez da contratação de reforços, apesar da pressão da torcida.

Gestão de Crise: O Flamengo durante a recessão brasileira (2015-2016)

Enquanto o Brasil enfrentava uma queda de 3,5% no PIB e inflação de 11% em 2015, a gestão financeira do Flamengo operava um milagre de resiliência. Com o dólar batendo R$ 4,00 e o investimento no país despencando, o clube manteve as contas em dia.

Em 2016, ano do impeachment e do recorde de desemprego no país, o Flamengo provou sua independência econômica. Enquanto empresas fechavam, o clube brigou pelo título brasileiro e fechou o balanço no azul, consolidando que o Ninho do Urubu não dependia mais do humor da economia nacional para prosperar.

O impacto do PROFUT na Gestão Financeira do Flamengo

Lançado em 2015, o PROFUT (Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro) foi o “FMI do futebol nacional”. O governo parcelou dívidas, mas exigiu contrapartidas rígidas:

  • Responsabilidade Patrimonial: Dirigentes passaram a responder com o próprio CPF por gestão temerária.
  • Teto de Gastos: Limite de 80% da receita bruta para o futebol.
  • Fair Play Financeiro: Atrasos salariais passaram a gerar perda de pontos.

O segredo da gestão financeira do Flamengo foi ter ajudado a escrever a lei. O PROFUT garantiu que os rivais parassem com a “Dopagem Financeira” (contratar estrelas sem ter dinheiro), enquanto o Flamengo, que já tinha a maior receita, podia gastar 80% de um valor muito superior aos demais.começou a valer no Brasil, e quem já estava arrumando a casa, como o Mengão, saiu na frente disparado.

Como a venda de jogadores fortaleceu a gestão financeira do Flamengo

A partir de 2017, a base (Ninho do Urubu) tornou-se uma engrenagem vital. A venda de Vinícius Jr. ao Real Madrid por 45 milhões de euros (R$ 164 milhões na época) foi o divisor de águas. Esse valor não foi usado para pagar dívidas velhas, como se fazia antes, mas para investir em novos ativos como Arrascaeta e Gabigol.

Em 2018, a venda de Lucas Paquetá por 35 milhões de euros ao Milan injetou mais R$ 150 milhões no caixa.

Foi essa ‘Injeção de Capital’ da base que permitiu ao Flamengo ir à Europa e comprar jogadores prontos, sem precisar pedir dinheiro emprestado ao banco.

A casa estava pronta. Só faltava convidar os moradores certos para a festa. E foi exatamente isso que permitiu o 2019 mágico. Sem a ‘faxina’ de 2018, Jorge Jesus não teria nem onde treinar.

2018, Arrumação da Casa

2018 foi o ano em que o mundo percebeu que a base do Flamengo era uma mina de ouro.

Com a venda definitiva do Vinícius Jr. por 45 milhões de EUROS (aproximadamente 164 milhões de reais) pelo Real Madrid, que muita gente na época achou que era uma loucura porque o Vini Jr. foi vendido quando tinha 16 anos mas saiu somente em 2018, ao completar 18, o Flamengo pegou esse dinheiro, guardou, e quando ele saiu, usou a grana pra trazer Arrascaeta e Gabigol. O Vini Jr não deu só alegria em campo, ele financiou o time de 2019.

E com a venda do Lucas Paquetá no final do ano, o time rubro-negro garantiu que não precisaria se endividar para manter o elenco caro que estava montando.

Paquetá foi vendido para o Milan da Itália por 35 milhões de EUROS (150 milhões de reais na época).

Se a venda do Vini foi o alicerce, a do Paquetá foi o acabamento de luxo. Somando os dois? Mais de R$ 300 milhões em caixa vindos da base em menos de 2 anos. Nenhum outro clube no Brasil tinha esse poder de fogo. Gestão, meus bebês, não é só economizar cafezinho. É saber vender.

Em 2018, o Flamengo arrecadou valores recordes com a base. Esse dinheiro não foi usado para tapar buraco de dívida velha (como faziam antes), foi usado para montar o supertime de 2019. O Gabigol e o Arrascaeta foram pagos, indiretamente, pelos garotos do Ninho.

2019 Mágico, Seja bem vindo, Mister!

Em 2019, o Flamengo não apenas “ganhou tudo”, ele limpou o caixa das confederações. Foi o ano em que o clube provou que o investimento de 2018 (Vini Jr e Paquetá) voltou multiplicado.

CampeonatoResultadoPrêmio Aproximado (R$)Observações
LibertadoresCAMPEÃO85 MILHÕESUS$ 20,4 milhões acumulados. O valor explodiu porque o dólar estava subindo no fim de 2019.
BrasileirãoCAMPEÃO33 MILHÕESEsse valor é só a premiação da CBF pelo 1º lugar. Não inclui a cota de TV (que foi muito maior).
CariocaCAMPEÃO4,5 MILHÕESSomando premiação da FERJ + cotas das fases (Taça Rio).
Mundial de ClubesVice-Campeão16,8 MILHÕES(US$ 4 milhões). Mesmo perdendo pro Liverpool, o Flamengo voltou do Qatar com quase 17 milhões de reais no bolso

Vocês lembram do Jesus correndo, do Gabigol virando o jogo… mas o departamento financeiro lembra disso aqui:

R$ 139 MILHÕES

Só em bônus por vitória, o Flamengo arrecadou quase 140 milhões de reais em 2019.

  • A Libertadores pagou a conta de todas as contratações do ano.
  • O Brasileirão pagou a folha salarial de meses.
  • E até o vice no Mundial rendeu quase 17 milhões.

A lição de 2019 para o seu bolso é: investimento bem feito se paga rápido. O Flamengo gastou 63 milhões no Arrascaeta no início do ano. Só o prêmio da Libertadores (85 mi) pagou o Arrascaeta e ainda sobrou troco para comprar o Michael em 2020.

Final da história de 2019:

Dinheiro em Caixa: R$ 87 milhões

Superávit do Exercício: R$ 63 milhões.

Nota do Presidente:

“O clube ficou em primeiro lugar em postagens e compartilhamentos no Facebook, Twitter, Instagram e YouTube, com mais de 19 mil publicações e 18 milhões de interações. Vale registrar que, neste último quesito, ficamos inclusive à frente de Liverpool, Manchester United e Barcelona no Facebook. Já o canal do clube no YouTube, a FlaTV, cresceu tanto a ponto de ser hoje o quarto maior do mundo entre clubes. São mais de três milhões de inscritos, se tornando assim um ativo comercial importante para o Flamengo. No Google, o Rubro-Negro soma 45,5 milhões de consultas mensais no buscador, mesma dimensão de gigantes europeus como Barcelona e Juventus. Nossos patrocinadores receberam retorno de mídia espontânea de R$ 4,6 bilhões em território nacional, além de uma visibilidade internacional inédita, o que se traduz em receitas crescentes de digital, marketing e publicidade.”

OBS: O Flamengo TV, canal do youtube, ganha em média por mês de US$ 16 a 47 mil.

Mas o dinheiro no cofre traz perigos que ninguém te conta. Sabe o que acontece quando um clube tem muito dinheiro e nenhuma gestão de risco? O capítulo mais triste da história do clube estava prestes a acontecer…

Antes de levantar a taça… Triste História do Ninho do Urubu

Mas nem só de glórias e cifras viveu o ano de 2019. Antes das taças, o Flamengo viveu o capítulo mais doloroso de sua história centenária.

No dia 8 de fevereiro, o incêndio no Ninho do Urubu vitimou 10 garotos da base. E aqui, como analista de gestão, eu preciso fazer uma distinção muito séria para vocês.

Existe um abismo entre a Gestão Financeira e a Gestão Operacional.

Operacionalmente, houve falha. Instalações provisórias, riscos não calculados. Uma mancha irreparável na história do clube.

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O paradoxo da tragédia

Porém, sob a ótica estritamente financeira — que é o tema deste canal — acontece um paradoxo. Foi justamente a reestruturação financeira iniciada em 2013 que permitiu ao Flamengo lidar com o pós-tragédia de uma forma que clubes quebrados não conseguiriam.

Nota do Presidente:

“O ano de 2019 ficou também marcado pela maior tragédia da história centenária do Flamengo: o incêndio no Centro de Treinamento George Helal. O terrível acidente levou dez Garotos do Ninho, causando dor que jamais será sanada para clube, torcida e familiares. Dedicamos nossas vitórias esportivas aos meninos e seguiremos com o trabalho que vem sendo feito desde o ocorrido junto às famílias, procurando minimizar, dentro do possível, os efeitos do acidente.”

O Flamengo tinha caixa. O Flamengo tinha liquidez. Isso não traz vidas de volta, mas garantiu que o clube tivesse capacidade econômica para fechar os acordos de indenização com as famílias e dar suporte vitalício aos sobreviventes, sem que isso levasse a instituição à falência, como acontece em tantas outras tragédias corporativas no Brasil.

Em 2019, o Flamengo provou que tinha se tornado uma potência financeira, mas aprendeu da pior forma possível que dinheiro no cofre não vale nada se a gestão de risco não for prioridade zero.”

Durante 6 anos, uma sombra pairou sobre o caixa do Flamengo: as indenizações das famílias do Ninho. Muitos diziam que isso quebraria o clube ou se arrastaria por décadas.

Fim dos Processos na Vara Cível

Mas em fevereiro de 2025, essa página financeira foi virada. O clube fechou o acordo com a família do goleiro Christian Esmério, a última que ainda brigava na justiça. Com isso, 100% das famílias das vítimas fatais foram indenizadas.

E aqui entra a frieza dos números: o Flamengo gastou dezenas de milhões nessas indenizações. Para um clube comum, seria falência. Para o Flamengo de 2025, com faturamento de 2 bilhões, foi apenas uma linha no balanço contábil.

O dinheiro resolveu a parte cível. Se houve justiça moral com a absolvição dos réus em outubro de 2025, aí já não é uma questão de matemática, e eu deixo para vocês debaterem nos comentários.

2020, O ano da Pandemia

2020, o ano que o mundo parou. Para qualquer empresa, perder sua principal fonte de renda do dia para a noite significa falência. O Flamengo perdeu o Maracanã lotado. Perdeu mais de 100 milhões de reais de faturamento previsto.

Mas lembra daquele caixa que mostrei em 2018? Foi ele que entrou em campo. Enquanto rivais vendiam promessas da base para pagar folha salarial atrasada, o Flamengo segurou Gabigol, segurou Arrascaeta e ainda trouxe o Pedro.

O resultado? Mesmo num ano caótico, sem Jorge Jesus, com troca de técnicos e jogando sem torcida… a força do dinheiro prevaleceu. Supercopa? Check. Recopa? Check. Carioca? Check. E o Brasileirão? Veio no sufoco, na última rodada, mas veio.

2020 ensinou que: quando você é rico e organizado, você ganha até quando joga mal.

CampeonatoResultadoPrêmio Aproximado (R$)Observações
BrasileirãoCAMPEÃOR$ 33 MilhõesO mesmo valor de 2019. Dinheiro que entrou no caixa em Fev/2021 (fim do campeonato).
LibertadoresOitavas de FinalR$ 21 Milhões(US$ 4,05 milhões). Caiu cedo (para o Racing), mas como o dólar disparou na pandemia, o valor em reais foi alto só pela participação na fase de grupos.
RecopaCAMPEÃOR$ 8,8 Milhões(US$ 2 milhões). Título internacional ganho no Maracanã antes do lockdown.
Copa do BrasilQuartas de FinalR$ 5,9 MilhõesEliminado pelo São Paulo. O valor soma a cota das Oitavas (2,6 mi) e das Quartas (3,3 mi).
SupercopaCAMPEÃOR$ 5 MilhõesTítulo ganho em cima do Athletico-PR em Brasília.
CariocaCAMPEÃO~R$ 500 MilValor simbólico da Taça Guanabara. O Carioca quase não paga prêmio direto, o lucro vem de cota de TV (que foi uma briga nesse ano).

Somando tudo, o Flamengo embolsou cerca de:

Total da “Conta” em 2020

R$ 74,2 Milhões

Em 2020, o Flamengo ‘jogou mal’, trocou de técnico duas vezes e caiu cedo na Libertadores. A torcida ficou brava? Ficou. Mas o departamento financeiro não teve do que reclamar. Mesmo num ano de crise mundial e fracassos internacionais, o clube embolsou quase 75 milhões de reais só em prêmios.

Para vocês terem noção: só o prêmio da queda precoce na Libertadores (21 milhões) pagou a contratação do Léo Pereira e do Gustavo Henrique juntos. Isso mostra que o Flamengo chegou num patamar onde até quando perde, ele ganha dinheiro.

o Rubro-negro viveu uma novela mexicana no banco de reservas. Primeiro, a dor do abandono: Jorge Jesus disse que ficava, mas foi embora para Portugal. Depois, o erro de cálculo: trouxeram Domènec Torrent, que tentou ensinar o time a jogar bola de novo e tomou goleadas históricas. Ele foi demitido em 4 meses.

As Goleadas Sofridas (O “Motivo da Crise”)

Foram esses jogos que derrubaram o Domènec Torrent e quase custaram a temporada.

  1. Independiente Del Valle 5 x 0 Flamengo (17/09/2020):
    • Competição: Libertadores (Fase de Grupos).
    • O Contexto: A maior derrota da história do Flamengo na Libertadores. Foi na altitude de Quito. O time parecia um bando em campo.
  2. São Paulo 4 x 1 Flamengo (01/11/2020):
    • Competição: Brasileirão (Maracanã).
    • O Contexto: O Flamengo perdeu dois pênaltis e foi dominado em casa pelo time do Fernando Diniz.
  3. Atlético-MG 4 x 0 Flamengo (08/11/2020):
    • Competição: Brasileirão (Mineirão).
    • O Contexto: Foi a gota d’água. Domènec foi demitido no dia seguinte. O Galo de Sampaoli atropelou.

As Goleadas Aplicadas (A “Força do Elenco”)

Aqui você prova que, quando o individual resolvia, ninguém segurava.

  1. Corinthians 1 x 5 Flamengo (18/10/2020):
    • Competição: Brasileirão (Neo Química Arena).
    • O Feito: A maior goleada sofrida pelo Corinthians dentro da sua própria casa até hoje. Foi um massacre com gol antológico do Diego Ribas.
  2. Flamengo 4 x 0 Independiente Del Valle (30/09/2020):
    • Competição: Libertadores (Maracanã).
    • O Feito: A vingança. Poucos dias depois de levar de 5, o Flamengo devolveu 4, mostrando que o problema não era falta de jogador, era falta de atitude.
  3. Bahia 3 x 5 Flamengo (02/09/2020):
    • Competição: Brasileirão (Pituaçu).
    • O Feito: Um jogo de “trocação” franca onde o ataque do Flamengo (Pedro e Arrascaeta) simplesmente decidiu que faria mais gols que o adversário.

Adivinha para quem sobrou

Sabe quem pagou essa conta? O caixa do clube. Entre rescisões de Jesus e Domènec e a contratação do Ceni (que o Flamengo teve que pagar multa pro Fortaleza para tirar ele de lá), o clube gastou milhões que não estavam no orçamento. Rogério Ceni não caiu em 2020. Ele chegou para apagar o incêndio e, trancos e barrancos, entregou o título Brasileiro.

2020 foi o ano do ‘Tudo ou Nada’. O mesmo Flamengo que foi ao Equador e sofreu a maior vergonha da sua história na Libertadores (5×0 pro Del Valle), voltou para o Brasil e aplicou a maior goleada da história da Arena do Corinthians (5×1).

Isso resume a gestão de 2020: Talento de sobra, juízo de menos. O dinheiro montou uma Ferrari, mas a direção entregou a chave para motoristas que não sabiam pilotar na chuva. O resultado foi esse ziguezague de goleadas.

Você acha que o Flamengo de 2019 foi o auge? Financeiramente, foi só o começo. Mas em 2021, um erro de 80 milhões de reais provou que nem o maior superávit do mundo vence a gravidade. Eu te explico o escorregão que custou um império logo adiante.

2021, O ano da “Ressaca da Glória”

Se 2019 foi o sonho e 2020 foi a resistência, 2021 foi o ano em que o Flamengo aprendeu que ter o elenco mais caro do continente não garante a taça se o emocional falhar.

Foi um ano financeiramente forte, mas esportivamente traumático:

1. O “Quase” que Dói (A Teoria do Detalhe)

Em 2021, o Flamengo faturou mais de R$ 1 bilhão em receita bruta (foi o primeiro ano que bateu o bilhão oficialmente). Mas o dinheiro não entra em campo para dominar uma bola na prorrogação. O erro do Andreas Pereira custou, literalmente, R$ 80 milhões (diferença entre o prêmio de campeão e vice). O ano de 2021 ensinou que a gestão financeira pode ser perfeita, mas o futebol ainda é decidido por humanos.

Resultados dos campeonatos:

  • Libertadores: Vice-campeão. Perdeu para o Palmeiras na prorrogação.
  • Brasileirão: Vice-campeão. O Atlético-MG do Hulk foi impecável.
  • Copa do Brasil: Caiu na Semifinal (levou 3×0 do Athletico-PR em pleno Maracanã).

2. A Ilusão Renato Gaúcho

O Flamengo de 2021 caiu no conto do ‘piloto automático’. A diretoria achou que bastava entregar o elenco na mão de um gestor de grupo (Renato) que os títulos viriam. Financeiramente, a demissão do Renato no fim do ano foi mais uma multa rescisória para a conta.

3. A Venda do “Coringa” (Gestão de Caixa)

  • O Fato: A venda do Gerson para o Olympique de Marseille (aprox. 25 milhões de euros / R$ 160 milhões).
  • A Tese: “Como o Flamengo fechou as contas em 2021 sem bilheteria (o estádio só reabriu no final do ano)? Vendendo um ídolo. A venda do Gerson foi dolorosa tecnicamente (o time perdeu o motor), mas vital financeiramente. Foi esse dinheiro que manteve a folha salarial de Gabigol e Arrascaeta em dia.”

4. Os Títulos “Esquecidos” (Mas que pagam conta)

Apesar do trauma da Libertadores, o ano não passou em branco.

  • Supercopa do Brasil: Campeão sobre o Palmeiras (nos pênaltis, jogo épico).
  • Campeonato Carioca: Tricampeão (sobre o Fluminense).
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2021 foi o ano do ‘se’. E se o Andreas não escorrega? E se o Renato Gaúcho tivesse poupado o time? Mas aqui no Cifrões e Canetadas, a gente não trabalha com ‘se’, a gente trabalha com fatos.

E o fato é: em 2021, o Flamengo rompeu, pela primeira vez na história, a barreira de 1 Bilhão de Reais de faturamento. Mesmo sem ganhar a Libertadores e o Brasileiro, a máquina comercial do clube já era tão gigantesca que o dinheiro continuou entrando.

Mas 2021 deixou uma cicatriz. Ele provou que você pode ter o cofre cheio e o CT da NASA, mas se o planejamento esportivo for emocional (demitir Ceni de madrugada, contratar Renato pela fama), a bola pune. O Flamengo terminou 2021 rico, mas frustrado. E essa frustração custou caro: obrigou o clube a ir ao mercado gastar ainda mais em 2022 para dar uma resposta.

Aqui estão os detalhes técnicos e narrativos para você explicar quem ele era e como foi o lance:

👤 Quem foi o Andreas?

  • Nome: Andreas Pereira.
  • Status na época: Ele era o toque de classe europeia no meio-campo. Nascido na Bélgica (filho de brasileiros), veio emprestado do Manchester United.
  • A Ironia: Até aquele segundo fatídico, ele fazia uma partida excelente e uma temporada muito segura, substituindo o Gerson (que tinha sido vendido). Ele não era um “bagre” (jogador ruim); era um jogador de Premier League.

🍌 Onde e Como ele escorregou?

  • O Palco: Estádio Centenário, em Montevidéu (Uruguai).
  • A Data: 27 de novembro de 2021.
  • O Momento: Final da Libertadores contra o Palmeiras. O jogo estava empatado em 1×1 e tinha acabado de começar a prorrogação (minuto 95).
  • O Lance (Passo a Passo para o Vídeo):
    1. O zagueiro David Luiz toca uma bola simples para o Andreas na defesa, sem muito perigo.
    2. Andreas tenta dominar ou girar, mas o pé de apoio falha.
    3. Ele escorrega sozinho.
    4. A bola sobra limpa para o atacante Deyverson (do Palmeiras), que estava pressionando.
    5. Deyverson avança livre e faz o gol do título (2×1).

Sugestão de Texto:

“Andreas Pereira não era um jogador barato. Ele veio do Manchester United com salário de estrela europeia. Mas aos 5 minutos da prorrogação, em Montevidéu, a gestão financeira perfeita do Flamengo foi derrotada pela física.

Um escorregão. Foi isso que separou o Flamengo da Glória Eterna em 2021. Aquele tropeço permitiu o gol do Deyverson e custou ao clube não só a taça, mas a diferença de premiação entre campeão e vice.

Andreas hoje brilha na Europa e na Seleção Brasileira, o que prova que ele é craque. Mas naquele dia, ele foi a prova viva de que no futebol, o imponderável não aparece no balanço patrimonial.”

2022, O Poder da Reação

Diferente de 2019 (tudo perfeito), 2022 começou um desastre e terminou em glória. A tese financeira aqui é: Clubes pobres morrem abraçados com seus erros; o Flamengo paga a multa, demite e contrata a solução.

2022 começou com a promessa de revolução europeia e quase terminou em tragédia. O projeto Paulo Sousa custou caro e deu errado. Mas aqui está a diferença entre um time rico e um time organizado.

Quando a rota estava errada, o Flamengo teve musculatura financeira para demitir, pagar a multa e corrigir o curso no meio do voo. Trouxeram Dorival Júnior, montaram dois times (o ‘A’ das Copas e o ‘B’ do Brasileiro) e fizeram a aposta mais lucrativa da história: focar nos mata-matas.

O resultado? O ano que começou com crise terminou com o Flamengo levantando a Libertadores e a Copa do Brasil, colocando impressionantes 230 milhões de reais no bolso só em premiações. 2022 ensinou que ter dinheiro permite que você erre, conserte e ainda termine o ano campeão.

Aqui estão os 4 pilares para sua análise:

O Custo do Erro “Paulo Sousa”

  • O Fato: O Flamengo trouxe um técnico europeu com multa rescisória alta, pagou para ele sair da Seleção Polaca e, 6 meses depois, teve que pagar uma fortuna para demiti-lo.
  • A Tese Financeira: “Em 2022, o Flamengo gastou mais de R$ 20 milhões só em multas rescisórias de comissão técnica. Para 90% dos times do Brasil, isso inviabilizaria o ano. Para o Flamengo, foi um ‘custo operacional’. O clube teve caixa para admitir o erro em junho, pagar a conta e trazer Dorival Júnior para salvar a temporada.”

A Estratégia das Copas (O “All-in”)

  • O Contexto: Quando Dorival chegou, o Brasileirão já estava distante (o Palmeiras disparou).
  • A Decisão: O clube focou 100% nos mata-matas (Libertadores e Copa do Brasil).
  • O Risco x Retorno: “Financeiramente, focar em Copas é arriscado. Se você perde um jogo, o dinheiro some. Mas o Flamengo tinha o chamado ‘Time B’ (reservas de luxo) para segurar o Brasileirão enquanto os titulares focavam nas Copas. Essa estratégia rendeu as duas taças mais valiosas do continente.”

A Compra Definitiva de Pedro (O Ativo Valorizado)

  • O Fato: Pedro estava infeliz e quase saindo no início do ano. Com Dorival, virou titular ao lado de Gabigol e foi Rei da América.
  • O Movimento Financeiro: O Flamengo exerceu a compra definitiva dele junto à Fiorentina (aprox. 14 milhões de euros / R$ 87 milhões na época).
  • A Tese: O maior ‘título’ de 2022 foi recuperar o ativo Pedro. Um jogador que estava desvalorizado no banco virou jogador de Copa do Mundo no final do ano. Isso triplicou o valor de mercado dele. Gestão é recuperar ativos.

A Torcida Paga a Conta (O Fator Bilheteria)

  • O Fato: Foi o primeiro ano “completo” pós-pandemia. A torcida bateu recordes de arrecadação.
  • A Tese: A torcida do Flamengo colocou, sozinha, mais de R$ 150 milhões nos cofres do clube em 2022 (Bilheteria + Sócio Torcedor). Foi esse dinheiro ‘vivo’ entrando todo jogo que permitiu trazer reforços caros no meio do ano, como Everton Cebolinha e Vidal.
CampeonatoResultadoPrêmio Aproximado (R$)Obs. para o Vídeo
LibertadoresCAMPEÃOR$ 125 Milhões(US$ 23,55 mi acumulados). O valor subiu muito em relação a 2019.
Copa do BrasilCAMPEÃOR$ 76,8 MilhõesA Copa do Brasil virou o torneio que mais paga no país.
Brasileirão5º LugarR$ 28 MilhõesMesmo com o time reserva em vários jogos.
SupercopaVice-CampeãoR$ 2 MilhõesPerdeu nos pênaltis para o Galo no início do ano.
CariocaVice-Campeão0(Vice pro Fluminense).

O Cronograma da Ingratidão

Doriva, que eu acho um técnico maravilhoso, que só por ter colocado o Pedro junto com o Gabigol, já era digno de muito respeito, simplesmente foi descartado do Flamengo.

E aqui chegamos ao maior erro de gestão da Era Landim. Terminamos 2022 no topo do mundo. Dorival Júnior recuperou o time, ganhou duas Copas e trouxe a paz.

O que uma empresa séria faria? Renovaria o contrato e planejaria 2023, certo? O Flamengo fez o oposto.

Em novembro de 2022, seduzida pela ideia de ter um ‘técnico de grife’ para o Mundial, a diretoria decidiu não renovar com o Dorival. Eles trocaram o certo (um campeão) pelo duvidoso (Vítor Pereira), achando que o dinheiro compraria resultado imediato.

Essa decisão, tomada no final de 2022, foi a sentença de morte da temporada de 2023. Foi aqui que o Flamengo demitiu a estabilidade para contratar o caos.

O Cenário: Dorival Júnior terminou a temporada em alta. Campeão da Libertadores e da Copa do Brasil em outubro.

  • A Data Fatos: O contrato dele ia até o fim de 2022. Em 25 de novembro de 2022, enquanto Dorival estava de férias (e a torcida achava que a renovação era certa), o Flamengo anunciou que não renovaria.
  • O Motivo (Oficial/Bastidores): A diretoria acreditava que o time tinha batido no teto e queria um técnico com “DNA europeu” para enfrentar o Real Madrid no Mundial. Eles já estavam negociando escondido com o Vítor Pereira (que era técnico do Corinthians).

2023, O Ano do Paradoxo

Se você olhar apenas a planilha do Excel (Cifrões), foi o melhor ano da história até então. Se você olhar para o campo (Canetadas), foi um filme de terror.

Respondendo sua pergunta: Teve algo de bom? Apenas o dinheiro e a chegada do Tite no final para estancar a sangria. O resto foi “terra arrasada”.

Aqui está a análise completa para o seu roteiro:

O Que Aconteceu de Ruim? (Os “7 Pecados Capitais”)

Se 2019 foi o Sonho e 2020 a Resistência, 2023 foi a Soberba. Lembra que eu disse que a diretoria não renovou com o Dorival para buscar um ‘DNA Europeu’? Pois é. O preço dessa vaidade chegou.

Exemplos da Gestão Estratégica incorreta

Em 2023, o Flamengo disputou 7 títulos. Perdeu os 7. Passou vergonha no Mundial, caiu para o Olimpia e viu o próprio Dorival ser campeão da Copa do Brasil em cima dele.

  1. Mundial de Clubes: Caiu na semifinal para o Al-Hilal (nem chegou a enfrentar o Real Madrid, virou piada com a música “Real Madrid, pode esperar”).
  2. Supercopa: Vice para o Palmeiras (jogão, mas perdeu).
  3. Recopa: Vice para o Del Valle (perdeu nos pênaltis, no Maracanã lotado).
  4. Carioca: Vice para o Fluminense (levou uma goleada de 4×1 na final).
  5. Libertadores: Eliminado nas Oitavas pelo Olimpia (time com folha salarial minúscula perto do Fla). O time não jogou nada no Paraguai.
  6. Copa do Brasil: Vice para o São Paulo (viu o Dorival Jr., que foi demitido, ser campeão no Morumbi em cima do Fla).
  7. Brasileirão: Terminou em 4º lugar, vendo o Botafogo disparar e o Palmeiras ser campeão.

Quando a Gestão de Pessoas falha

No vestiário, o caos: soco na cara de jogador, briga entre atletas no treino. O Flamengo virou um ringue de UFC.

E o pior: O Clima de Guerra Civil Para a gestão, isso é gravíssimo. O ambiente de trabalho ruiu.

  • Agressão 1: O preparador físico do Sampaoli deu um soco na cara do Pedro.
  • Agressão 2: Gerson e Varela saíram na porrada num treino (Varela quebrou o nariz).
  • Agressão 3: Marcos Braz (vice de futebol) brigando com torcedor em shopping.
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O dinheiro que é bom… veio

Mas… e o dinheiro? Aqui está a prova de que a marca Flamengo descolou do resultado de campo. Mesmo com o ano esportivo mais vergonhoso da década, o clube faturou R$ 1,37 Bilhão. A torcida continuou lotando, a camisa continuou vendendo e os patrocinadores continuaram pagando.

  • Recorde de Faturamento: O Flamengo fechou 2023 com receita bruta de R$ 1,37 Bilhão. Foi o maior faturamento da história do futebol brasileiro até aquele momento.
  • A “Salvação” Tite: A única “canetada” boa do ano foi a contratação do Tite em outubro. Ele chegou, organizou a casa e garantiu a vaga direta na Libertadores de 2024. Ele foi o “bombeiro” de luxo.

2023 provou uma tese perigosa: o Flamengo ficou tão rico que ele pode se dar ao luxo de jogar uma temporada inteira no lixo, gastar 40 milhões em multas de técnicos ruins, e ainda terminar o ano com lucro e dinheiro em caixa. O clube é um monstro financeiro, mas em 2023, foi um monstro sem cabeça.

💸 O Custo da “Burrice” (As Multas Rescisórias)

Para o seu canal, esse dado é ouro. O Flamengo queimou dinheiro com multas de técnicos em 2023.

  • Vítor Pereira: Demitido em abril. Custo aprox: R$ 15 milhões.
  • Jorge Sampaoli: Demitido em setembro. Custo aprox: R$ 9,5 milhões (multa) + comissão.
  • Total: O clube gastou cerca de R$ 40 a 50 milhões no ano só pagando gente para ir embora e contratando substitutos.

2024, Transição da Era

Se em 2023 o Flamengo foi um “monstro sem cabeça”, em 2024 ele finalmente cortou a cabeça que não funcionava (Tite) e transplantou um cérebro novo e caseiro (Filipe Luís).

Foi um ano de contrastes brutais: o clube realizou o maior sonho patrimonial de sua história (o Estádio), mas falhou no sonho esportivo (Libertadores).

2024 foi o ano em que o Flamengo decidiu construir seu futuro e demolir seu passado recente.

Fora de campo, a canetada histórica: 138 milhões de reais à vista no Terreno do Gasômetro. O sonho da casa própria virou realidade, provando que o cofre do clube é o mais fundo das Américas.

O Maior “Cifrão” da História (O Terreno do Gasômetro)

Para o seu canal, esse é o fato mais importante da década, não só do ano.

  • O Fato: Em 31 de julho de 2024, o Flamengo arrematou o terreno do Gasômetro em leilão por R$ 138 milhões.
  • A Tese Financeira: Esqueça contratação de jogador. Em 2024, o Flamengo fez a maior compra de sua história. E fez à vista (ou com garantias bancárias imediatas), sem precisar se endividar por 30 anos como o Corinthians ou o Atlético-MG. Isso provou que a ‘austeridade’ de 2013 valeu a pena. O Flamengo de 2024 comprou o terreno da sua casa própria com o dinheiro do ‘cheque especial’ que sobrava no caixa.

A Queda do “Adenor” e a Ascensão do “Filipinho”

Dentro de campo, vivemos duas temporadas em uma. O primeiro semestre foi o ‘Flamengo do Tite’: posicional, chato e eliminado de forma vergonhosa pelo Peñarol na Libertadores. A torcida pediu, a diretoria ouviu (tarde, mas ouviu) e trouxe a solução que estava em casa: Filipe Luís.

O resultado? Em dois meses, Filipe Luís fez o que Tite não fez em um ano: recuperou o futebol ofensivo, amassou o Atlético-MG na final e trouxe o Penta da Copa do Brasil.

  • O Erro: Tite prometeu equilíbrio, mas entregou um time burocrático. A eliminação para o Peñarol nas quartas da Libertadores (sem marcar um gol sequer em 180 minutos) foi a gota d’água.
  • A Solução Caseira: A demissão de Tite em setembro custou caro (multa de aprox. R$ 5 milhões), mas trouxe Filipe Luís.
  • A Tese: A gestão aprendeu que ‘grife’ não ganha jogo. Filipe Luís assumiu a bomba na reta final e, com o mesmo elenco que parecia morto com Tite, foi campeão. Isso mostrou que o problema de 2024 não era falta de peça, era falta de coragem.

A Copa do Brasil (O Pentacampeonato Salvador)

  • O Título: Campeão em cima do Atlético-MG (3×1 no Maracanã, 1×0 na Arena MRV).
  • O Valor: Além da taça, o prêmio de R$ 73,5 milhões (mais as fases anteriores) salvou o orçamento do ano.
  • A Narrativa: Quando tudo parecia perdido após cair na Libertadores, o Flamengo de Filipe Luís deu uma aula de futebol na final contra o Galo. O título da Copa do Brasil foi o ‘respiro’ que garantiu que 2024 não fosse outro 2023.

O Fim da Era Gabigol (O Divórcio Tóxico)

2024 terminou com um gosto agridoce: a tristeza pela despedida conturbada de Gabigol, mas a certeza de que, com Estádio Novo e Técnico Novo, 2025 promete ser gigante.

  • O Drama: Suspensão por tentativa de fraude no antidoping, pouco futebol, reserva com Tite e o anúncio da saída no gramado logo após o título da Copa do Brasil.
  • A Análise: 2024 marcou o fim oficial da geração de 2019. A saída de Gabigol (para o Cruzeiro) encerrou o ciclo. Financeiramente, o clube economizou um salário astronômico de renovação, mas perdeu seu maior ídolo de marketing. Foi um ano de ‘limpeza’ da folha e do vestiário.

2025, O Encerramento da Série e o que esperar em 2026

Na nossa linha do tempo (estamos em janeiro de 2026), 2025 foi o ano da Consolidação do Império. Foi quando a promessa de “potência mundial” foi testada ao máximo.

Aqui está o balanço do ano para o seu roteiro:

O Que Foi de BOM (O Ano Perfeito Internamente)

1. A “Quadrupla Coroa” (Hegemonia Total)

  • O Fato: Sob o comando de Filipe Luís (já consolidado como o maior técnico pós-JJ), o Flamengo “zerou o game” na América do Sul.
  • Títulos: Libertadores (Bicampeonato no Maracanã? Ou final única em local neutro), Brasileirão (ganho com sobras), Supercopa e Carioca.
  • A Tese: Em 2025, o Flamengo atingiu a maturidade esportiva. Não teve ‘crise na Gávea’, não teve troca de técnico. Foi um rolo compressor. O time titular jogava por música e o reserva seria G4 em qualquer campeonato.

2. A Barreira dos 2 Bilhões (O Monstro Financeiro)

  • O Fato: O balanço fechou com receita superior a R$ 2 Bilhões.
  • A Tese: Lembra dos 200 milhões de 2013? Em 2025, o Flamengo multiplicou isso por 10. O clube arrecada mais que muito time médio da Premier League. Isso permitiu manter o elenco caro sem vender ninguém importante.

3. O Estádio Sai do Papel (O Fim da Lenda)

  • O Fato: O início efetivo das obras no Gasômetro (tratores na pista).
  • A Tese: O torcedor parou de ver maquete e começou a ver bate-estaca. A compra do terreno em 2024 foi o cheque; 2025 foi o ano da construção. Isso blindou a diretoria de qualquer crítica política.

O Que Foi de RUIM (O Choque de Realidade e a Ferida Moral)

1. O Super Mundial de Clubes (O Abismo Europeu)

  • O Contexto: O Flamengo disputou o novo Mundial da FIFA nos EUA (junho/julho de 2025) com 32 times.
  • O Fato: Apesar de dominar a América, o Flamengo caiu nas Quartas ou Oitavas para um gigante europeu, Bayern de Munique, com um placar de 4 x 2.
  • A Tese: 2025 nos ensinou uma lição de humildade. Somos reis na América do Sul com nosso orçamento de 350 milhões de euros (valor de mercado do elenco), mas quando enfrentamos o City de 1 bilhão de euros no Super Mundial, o abismo ficou claro. Dinheiro ganha jogo, mas o dinheiro deles ainda é 5x maior que o nosso.

2. A Absolvição do Ninho (A Mancha Final)

  • O Fato: Como falamos antes, a absolvição criminal dos réus em outubro de 2025.
  • A Tese: No campo, ganhamos tudo. No tribunal, a sensação de impunidade. A absolvição encerrou o caso judicialmente, mas deixou um gosto amargo na boca de quem pedia justiça, não apenas indenização.

2026 – O Estádio do Gasômetro e o futuro da gestão financeira do Flamengo.

E agora, em janeiro de 2026, o que podemos esperar deste ano que começa?

Eu tenho um alerta financeiro para você, torcedor, não se assustar: A dívida do Flamengo vai subir. E isso é normal. Com as obras do Gasômetro ganhando velocidade, o clube vai começar a alavancar crédito. Vocês vão ver balanços com números negativos de fluxo de caixa, mas não entrem em pânico. Diferente de 2013, essa é uma ‘Dívida de Investimento’, não de ‘Sobrevivência’. É o preço de levantar a nossa casa própria.

Em campo, o desafio do Filipe Luís será outro: gerenciar a ‘fome’ e o calendário. 2026 é ano de Copa do Mundo. Vamos perder nossos craques como De La Cruz, Pedro (machucado), Arrascaeta…, para as seleções no meio do ano. O elenco vai ser testado no limite da exaustão.

O objetivo de 2026 não é apenas ganhar títulos, é provar que a hegemonia de 2025 não foi um acaso. É transformar a ‘Era Filipe Luís’ em uma dinastia.

Se o Flamengo vai conseguir construir o estádio e manter a taça no armário ao mesmo tempo? Isso os números vão nos dizer mês a mês. E eu estarei aqui para analisar cada centavo e cada canetada com vocês.

Conclusão para todos os Cartolas

E assim chegamos ao fim da nossa jornada. De 2013 a 2025. Doze anos que transformaram um clube endividado e piada nacional em uma potência de 2 bilhões de reais.

2025 foi a cereja do bolo. Ganhamos tudo o que era possível ganhar neste continente. Filipe Luís provou que a solução estava em casa. O estádio finalmente começou a subir.

Mas o ano também nos deu um choque de realidade. O Super Mundial nos EUA mostrou que, por mais ricos que sejamos aqui, ainda somos ‘classe média’ perto da Europa. E o desfecho do caso Ninho nos lembrou que nem todo dinheiro do mundo pode comprar justiça plena.

A conclusão do Dossiê é uma só: O Flamengo não teve sorte. O Flamengo teve Processo. Doeu na carne em 2013, 2014 e 2015 para sorrirem de 2019 a 2025.

Se o seu time está quebrado hoje, mande esse vídeo para o seu presidente. A receita do bolo está aqui. Não é mágica, é matemática.

O que o Flamengo fez em 2013 — parar de gastar o que não tem, pagar dívidas velhas e planejar o futuro — é exatamente o que falta em muitas áreas da nossa vida. E, sendo bem honesta aqui entre nós: é o que falta no Governo Brasileiro.

Conclusão para a vida

Seja à direita ou à esquerda, o problema do Brasil sempre foi a falta de responsabilidade com o ‘Cifrão‘ e o excesso de ‘Canetadas‘ populistas. O Flamengo provou que quando você para de mentir para os números, os números param de te punir. Se um clube de futebol, com toda a pressão de milhões de torcedores, conseguiu se tornar uma potência em 12 anos, imagine o que o nosso país seria capaz de fazer com uma gestão técnica, austera e focada em resultados.

Gestão não é sobre dinheiro. É sobre respeito ao futuro.

Eu sou Alessandra Freitas e este foi o Cifrões e Canetadas. O próximo dossiê será o Tricolor Carioca — e acreditem, a matemática lá é outra história. Até lá!

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Fontes de Dados:

Dados Financeiros: Transparência – Flamengo

Outros dados: Internet e Notas Explicativas das Demonstrações Financeiras.